quinta-feira, 15 de outubro de 2009

DECIFRA-ME


LÁGRIMAS OCULTAS

LÁGRIMAS OCULTAS
Se me ponho a cismar em outras eras
em que ri e cantei, em que era q'rida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...
E a minha triste boca dolorida
Que dantes tinha o rir das Primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!
E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...
E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!
FLORBELA ESPANCA

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

- E daí? EU ADORO VOAR!

Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.

Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!

Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!
Clarice Lispector

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Hoje chamo isso de... Amadurecimento.


Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato.
E então, pude relaxar.
Hoje sei que isso tem nome... Auto-estima.
Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades.
Hoje sei que isso é...Autenticidade.
Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.
Hoje chamo isso de... Amadurecimento.
Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.
Hoje sei que o nome disso é... Respeito.
Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável... Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo.
Hoje sei que se chama... Amor-próprio.
Quando me amei de verdade, deixei de temer o meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro.
Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo.
Hoje sei que isso é... Simplicidade.
Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter razão e, com isso, errei muitas menos vezes.
Hoje descobri a... Humildade.
Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece.
Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é... Plenitude.
Quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.
Tudo isso é... Saber viver!!!
Charles Chaplin

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Entre razões e emoções...


Não sei se estou preparada para ter algo racional demais em minha vida...
No momento, o que sinto é que quero encarar o que está acontecendo, procurando viver cada segundo desse “mundinho novo”.
Prefiro me arriscar, pois o excesso de razão nessas horas, acaba tirando da gente algo que realmente vale a pena.
Assim; deixo levar-me pela canção...
Num embalo que, certamente, nunca experimentei, mas que me traz muita felicidade.

Então, fecho os olhos e uso a mais pura emoção.
Nesse cerrar, consigo visualizar que tudo conspira para que as coisas aconteçam...
Então, quem sou eu para mudar esse destino!?
Ok!!!
Vou em frente!
Porque a vida é muito valiosa para ser passada vagamente...
Se eu errar???
Ah, isso deixo para depois...

(Belle)

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

À beira do mar...


"E lá estava eu contemplando a beleza do mar com meu olhar perdido no tempo,
Como se estivesse esperando por algo que havia roubado minha felicidade.
Não esperava por ninguém, apenas me perdia olhando para o horizonte
Tentando compreender o porquê de tantas dúvidas em minha vida
Mas enfim, você chegou…
aproximando-se de mim como a brisa que soprava do mar...
Quando percebemos já estávamos ali trocando olhares...
À tarde caía e com ela o pôr do sol que chegou para o
encontro que seria selado pelo encontro de nossos lábios.
Aquele momento se mostrou muito especial....
Os dias se passaram e o que parecia brincadeira
Deixou – nos em estado de confusão...
Como se quisesse controlar um sentimento que não se explica, apenas se sente...
Nos despedimos como um vento que sopra as folhas das palmeiras...
E que não deixa marcas por onde passa
Deixa apenas lembrança do frescor...
Sentido naquele instante, sabendo que estará de volta a qualquer momento.
E foi assim que tudo aconteceu, o mar te trouxe para meus braços...
E num piscar de olhos, você partiu como se ondas o tivessem levado
Além do horizonte, onde meus olhos já não podem enxergar.
E quando achei que jamais o reencontraria,
Aquele mesmo mar que um dia o levou, te trouxe novamente para minha vida...
Em um cenário diferente e de forma intensa.
Mostrando-me novamente a alegria de compartilhar momentos com alguém.
É como se todo o sentimento que um dia eu jurei ter morrido de dentro de mim, apenas estivesse adormecido e agora depois de tantos anos ele despertou quando você apareceu.
Independente do destino, eu me redescobri à beira do mar..."
POSTADO POR BELLE

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Há palavras que nos beijam


Há palavras que nos beijam

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármores distraído,
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
No silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Alexandre O’Neill

Do peito que dói...


Do peito que dói...

se tiveres medo de se apaixonar...
não faz-se difícil entender...
sentir o coração rasgar...
e sentir a alma arder...

mas lembre-se de como é doce...
o cheiro inebriante da pele...
melhor se para sempre fosse...
o gosto viciante do beijo...

porém fugaz, tudo se faz...
mas o que senti por ti, desejo...
não quer passar, meu corpo pede mais
uma silhueta na penumbra

uma mão tímida e quente...
depois o corpo quente que deslumbra..
doce ópio de loucura ardente
como uma chama que queima e atrai


Hugo Roberto Bher