domingo, 5 de julho de 2009

DE SAUDADES,DE PERDAS,DE DESPEDIDA



de saudade, de perdas, de despedida...
Eu queria falar sobre saudade, mas não de qualquer saudade ou de uma saudade qualquer...

Eu queria falar da saudade que não dói apenas no corpo, apenas na alma, apenas no coração, mas que dói, principalmente, na parte que lhe falta, na parte que lhe foi amputada;

Da saudade que vem da certeza do nunca mais e da incerteza do que poderia ter sido, da frustração do que não foi e jamais será vivido;

Da saudade que o passar do tempo não ameniza, que não há oração que console, nem bálsamo que cure ou alivie.

Mas dessa saudade não sei falar

só sei sentir...

( ainda que meu peito seja, desde sempre, demasiado pequeno para suportar tanto vazio).

há dias que a dor nos assalta
de forma tão desmedida
aguda e inesperada
que o coração se encolhe
e duvida
que possa suportar.


de todas as dores que sofri
a mais dolorida
foi a dor dos meus braços
tão vazios de ti.
Photobucket

(imagens Pino Daeni)
POSTADO POR LAYLA LAUAR

quarta-feira, 1 de julho de 2009

FOGO FRIO



A bruma desaparece no sorriso da aurora
Deixa um manto de orvalho azul
A terra recolhe a virtude das águas
De um aguaceiro vindo do sul

Chegou ao fundo de mim
A melodia da chuva miúda
Lavou-me a alma, a saudade
Nasceu uma planta gerada do nada

Nasceu!
Nascem a todo o instante
Os sentires vindos da alma
Tatuados a cada semblante

Um beijo na tua procura
Um abraço fica suspenso
Um sorriso desponta da tristeza
Um olhar prende o momento

Onde moram os pássaros?
De quantas rezas se faz a promessa?
Um coração segue em silêncio
Bate suave para que o amor aconteça

Bate forte!
Neste vendaval de sentimento presente
Uma gaivota plana suspensa
Solta-se o riso de uma criança contente

Solta-se o gesto
Solta-se a palavra fecunda
Solta-se um querer que a vontade ordena
Solta-se uma lágrima de mágoa profunda

Neste fogo que arde brando
Gerado por sete Sóis
Tantos quantos as promessas
Que os amantes fazem a dois

Porque dois é amor
Às vezes contradição
Magia que acontece
Com a cumplicidade da ilusão

E cada momento é um presente
Na indomável força das águas de um Rio
Ateou-se em teu peito o lume da paixão
Navegas num Lago de…Fogo Frio…

PUBLICADA POR O PROFETA

terça-feira, 30 de junho de 2009

Um grande amor


A vida é tão difícil de ser encarada sozinha
São tantas as desilusões que passamos
E também tantas alegrias
E desperdiçar estes momentos sozinho
Não faz muito sentido, o homem não nasceu para ser só
Isto nos faz ver que precisamos de alguém ao nosso lado
Para compartilharmos, para amarmos, para sonharmos
A vida se torna muito vazia quando estamos sós
Por isto quero você sempre ao meu lado
O tempo não espera por ninguém ele corre
E não quero perder tempo com você longe de mim
Quero curtir cada momento contigo
Os bons e os maus, mas sempre ao seu lado
Você é quem me da força para continuar a andar para frente
Você é quem me faz pensar nas coisas boas que já passamos
Você talvez não saiba, mas te escolhi para ser meu companheiro nesta vida
E entregar meu coração, minha paz e minha alegria
Passaremos por esta vida da melhor forma possível
Eu a te cuidar e você a cuidar de mim e de nossos filhos
Talvez a vida não seja o mar de rosa que todos imaginam
Mas não pode ser pior do que estar sozinho
Se conseguirmos chegar a velhice juntos
Já seremos grandes vencedores
Tantos não tem e não tiveram esta oportunidade
Por isto posso me considerar uma privilegiada
Tive sim, grandes amores na vida e você é um deles.

postado por nó cego

sexta-feira, 26 de junho de 2009

A Serenata


A serenata

Uma noite de lua pálida e gerânios
ele viria com boca e mãos incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobo
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
De que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
- só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?

Sopro de Adélia Prado

Canção do Caminho



Canção do Caminho -


Por aqui vou sem programa,
sem rumo,
sem nenhum itinerário.

O destino de quem ama
é vário,
como o trajeto do fumo.

Minha canção vai comigo.
Vai doce.
Tão sereno é seu compasso
que penso em ti, meu amigo.
- Se fosse,
em vez da canção, teu braço!

Ah! Mas logo ali adiante
- tão perto! –
acaba-se a terra bela.
Para este pequeno instante,
decerto,
é melhor ir só com ela.

(Isso são coisas que digo,
que invento,
para achar a vida boa...
A canção que vai comigo
é a forma de esquecimento
do sonho sonhado à toa...)

*** Cecília Meireles

Viagem ao Vento


Se pudesse ser o vento, viajaria agora ao teu encontro. Te buscava por todos os cantos. E ao te encontrar, acariciava teu rosto com leve brisa, depois, mais forte, atravessava tuas vestes, para alcançar tua pele, e deixar em ti, o frio da minha ausência. Só então seguiria viagem, Até adormecer solitária em qualquer (c)(m)anto.

Ophelia - John William Waterhouse - 1905

Enquanto Maio...Poesia



***
I

Toma-me. A tua boca de linho sobre a minha boca
Austera. Toma-me AGORA, ANTES
Antes que a carnadura se desfaça em sangue, antes
Da morte, amor, da minha morte, toma-me
Crava a tua mão, respira meu sopro, deglute
Em cadência minha escura agonia.

Tempo do corpo este tempo, da fome
Do de dentro. Corpo se conhecendo, lento
Um sol de diamante alimentando o ventre.
O leite da tua carne, a minha
Fugidia.
E sobre nós este tempo futuro urdindo
Urdindo a grande teia. Sobre nós a vida
A vida se derramando. Cíclica. Escorrendo.

Te descobres vivo sob um jugo novo.
Te ordenas. E eu deliquescida: amor, amor,
Antes do muro, antes da terra, devo
Devo gritar a minha palavra, uma encantada
Ilharga
Na cálida textura de um rochedo. Devo gritar
Digo para mim mesma. Mas ao teu lado me estendo
Imensa. De púrpura. De prata. De delicadeza.


[Prelúdios - intensos para os desmemoriados do amor – Poema I- Enquanto Maio...Poesia de Hilda Hilst}

VERTIGEM EM SONHO...



***

Sentada, em algum lugar qualquer, a sensação que tenho é que a luz vai findar, o som da música irá sumir e todos os sentidos desaparecerão. A queda é inevitável, o abismo é profundo e toma o corpo desprevenido. Assim, flutuo numa descida vertical.

Resisto à queda tensionando meus músculos, deixando em alerta meus sentidos. Passado o primeiro momento de surpresa, relaxo e me deixo levar pela leveza do vácuo e pelo inusitado da situação. Aproveito a viagem em queda livre e ouso lembrar de ti, sentindo tua presença ao meu lado. Logo, tua imagem é física e sinto teus abraços e o carinho que me toca em ondas, vejo teu rosto que me sorri e teu corpo que se oferece ao meu. O voo segue, e é uma espécie de desmaio o que sinto, só não distingo se é da queda ou do cheiro que se desprende do teu corpo que me acompanha nessa alucinante vertigem.

Não se diferencia mais prazer e medo. Meu cérebro só registra teu cheiro e teu calor. Há em mim um prazer inusitado, sem medida e navego no ar. A queda diminui até estancar definitivamente e tenho a certeza que isso não foi ilusão. Mas minhas pálpebras se abrem buscando ao redor sinais de ti e da tua perplexidade, ao olhar meus olhos iluminados da viagem e úmidos por saber que os sonhos nem sempre são possíveis (de realizar!)...